SERÁ QUE A INTERNET NOS TORNA ESTÚPIDOS?

A Internet torna-nos tão estúpidos quanto nós deixarmos. A razão é simples: somos nós quem tem controlo sobre a Internet e não o contrário. É verdade que, hoje em dia, é (quase) impossível levarmos uma vida completamente no wifi. No entanto, é igualmente verdade que podemos controlar a forma como este fenómeno influencia as nossas vidas.

O que sempre me surpreendeu na Internet é a facilidade com que chegamos ao mais variado tipo de informação: culinária, literatura, decoração, saúde, turismo… e a lista continuaria. Todos os conteúdos a que temos acesso estão, para ainda maior surpresa, na Common Web ou Surface Web – ou seja, na ponta visível do gigante icebergue que é a Internet. Esta ponta representa cerca de 20% dos conteúdos online e é aquela a que todas as pessoas podem aceder. Vamos, então, focar-nos nesta parte da Internet e na influência que tem exercido nos últimos anos.

Há uma necessidade por parte da maioria das pessoas de estarem constantemente conectadas à Internet. Há uma vontade de estar sempre ligado, sempre online, sempre disponível, para não perder um único minuto do que se passa no mundo. E a Internet consegue responder a esta necessidade: a todo o momento há algo novo, seja uma notícia num jornal, um update de um amigo no Facebook ou uma publicação de uma celebridade no Instagram. Cada vez mais a informação corre à velocidade da luz. Esta característica de momento da Internet confere-lhe um caráter que, se não for controlado pelo utilizador, pode ser caótico: o sentimento de que nunca está a par, de que há sempre um novo update para ver. E isto cria uma dependência dos dispositivos móveis a um nível nunca antes visto.

Numa análise mais detalhada, surge um segundo problema: a necessidade de também partilhar e de também dar o próprio contributo apenas pela vontade de querer participar, seja com uma atualização no Wikipedia, um comentário no Youtube ou uma publicação no Twitter. A Internet chega a um ponto em que todos queremos dar algo – porque é fácil, é acessível, é comum, porque queremos participar.

Estes problemas levam-nos ao que, de todas as desvantagens da Internet, me parece mais grave: a manipulação, a perda da privacidade e a comparação com os outros. É por estes três pontos que a Internet nos pode tornar estúpidos. Somos constantemente confrontados com informações – publicitárias ou não – desenhadas para chegar até nós; partilhamos cada segundo da nossa vida num desejo frenético de likes; e, por fim, ficamos frustrados quando não conseguimos alcançar um certo standard – que, no fundo, não passa de uma ilusão – que tantos partilham online. E é precisamente neste ponto de situação que podemos escolher se queremos que a Internet nos torne estúpidos ou não.

A solução é simples: pensar, reconsiderar, afastar. Como? Pensar mais além do que vemos online – quais as fontes desta informação? Como é que chegou até mim – fui eu que a procurei ou surgiu-me numa publicidade no Google? Preciso mesmo deste produto que estou prestes a comprar? Sei o suficiente sobre este tema, para além do que aprendi nestes vídeos online? Reconsiderar a característica do momento. Há algo que nos dá a mesma sensação de momento da Internet: a vida real. O momento real, a sensação real, o valor real. Não há necessidade de partilharmos cada momento das nossas vidas, não só por questões óbvias de segurança, como também porque a verdadeira emoção acontece na realidade – que parece tão longínqua quando concentramos o nosso olhar por trinta minutos num feed de Instagram. Por fim, afastar quaisquer influências criadas pela Internet que não acrescentem qualquer sabedoria ou valor às nossas vidas. Esta última parece-me a mais importante de todas, é crucial.

A conclusão é, assim, relativamente clara: a Internet só nos torna estúpidos se o permitirmos. Somos nós que escolhemos o que queremos ver quando nos sentamos à frente de um computador, o que pesquisamos no nosso tablet e o que enviamos pelo nosso telemóvel aos nossos amigos. A Internet tem imensas vantagens e desvantagens. Cabe-nos a nós decidir o tempo que queremos dedicar a este serviço, em relação com a influência que essa medida de tempo poderá ter na nossa vida. Podemos dar prioridade ao humano de cada um de nós – algo que nenhuma máquina ou serviço estará perto de simular -, sem que percamos a nossa inteligência e capacidade de julgamento. É possível levar uma vida com acesso à Internet, não deixando que esta nos influencie de tal modo que nos torne estúpidos, basta darmos-lhe apenas a importância que tem: um fenómeno mundial que serve para tornar a vida humana um pouco melhor. E nada mais que isso.

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