RELAÇÕES PÚBLICAS NA POLÍTICA: O ISLÃO POLÍTICO – ONTEM E HOJE, JOHN M. OWEN

“A diplomacia pública compreende a comunicação, pelos media, intercâmbios académicos, laços comerciais e outros meios, da atratividade da sua sociedade. Está longe de ser à prova de erros.” (p. 271)

O Islamismo é algo que conheço relativamente bem. Por isso, o livro “O Islão Político: Ontem e Hoje”, de John M. Owen, pareceu-me ser o indicado para responder à minha curiosidade em saber mais sobre a vertente política deste tema. Este livro, para além de confirmar algumas informações de que já tinha noção e de trazer alguns conceitos novos para o meu conhecimento, também me fez pensar sobre este tema do ponto de vista de futura profissional de RP.

Owen divide a obra em seis lições. Nestas, recorre a diversas referências históricas, mas serve-se de três momentos da história ocidental que são úteis para perceber o que o autor que contrastar: islamitas versus seculares. Estes três momentos ocidentais são as dicotomias católicos/protestantes, monarquistas/republicanos e a tríade comunistas/liberais/fascistas. Desta forma, é possível comparar o fenómeno atual que se verifica no Médio Oriente, entre muçulmanos que consideram que a lei deve seguir estritamente as leis sagradas do Alcorão e os que não consideram, com estes poderosos movimentos ideológicos do passado ocidental, que procuravam encontrar a melhor maneira de organizar a sociedade, o que levava a grandes mudanças nas políticas nacionais e internacionais. O que é exatamente o que se verifica atualmente.

As seis lições de Owen, que são a base de toda a obra, são: Não subestimar o IslamismoAs ideologias são (usualmente) não monolíticasAs intervenções estrangeiras são normaisUm Estado pode ser simultaneamente racional e ideológicoO vencedor pode ser “nenhum dos referidos” e, por fim, Observar a Turquia e o Irão.

Estas lições são exaustivamente explicadas pelo autor, sustentadas através de factos históricos que parecem provar que, de facto, “a história não se repete, mas rima” (Mark Twain). Ao longo de todo o livro, a minha principal questão – aquela que mais me fez pensar, do ponto de vista de futura profissional de Relações Públicas – é como é que as populações reagem a todas estes fenómenos históricos e que influência tem a comunicação política nessas reações.

Enquanto futura profissional de RP e eterna curiosa pela sociologia, principalmente a da comunicação, este livro fez-me questionar bastante sobre as estratégias de comunicação adotadas pelos governos, que muitas vezes não são transparentes e sinceras para com as respetivas populações. O que é que se pode fazer do ponto de vista das RP para informar os públicos de todos estes conflitos que se passam no Médio Oriente? Uma estratégia de comunicação política eficaz passaria pela educação dos públicos e/ou pelo seu envolvimento na vida política? Estas duas questões funcionam para mim como uma pergunta de partida e outra de resposta. No entanto, o meu ponto de vista é altamente influenciado pelo meu estilo de vida ocidental, que permite que eu seja uma cidadã relativamente bem informada, culta e capaz de fazer os meus próprios juízos de valor. No entanto, nem em todos os cantos do Mundo é assim – existem realidades bastante diferentes.

Muitas vezes as RP foram associadas – e provável e infelizmente ainda são – a propaganda. Sabemos, principalmente após a leitura deste livro, que a propaganda política tem uma força real e um impacto enorme nas decisões que levam a que pessoas como Hitler, provavelmente o maior exemplo da junção de propaganda política com uma conjuntura favorável a um regime fascista, subam ao poder de grandes potências mundiais. As RP não são, de todo, mera propaganda; ao nível político, têm uma forte influência. Não só nas decisões eleitorais como também no incentivo a sentimentos sobre outras nações e governos, as RP podem – e devem – agir, no sentido de auxiliar os públicos a estarem informados sobre a vida política a nível mundial e conhecerem, também, a conjuntura económica e social subjacente aos mais diversos regimes políticos.

Apesar de existir imenso conhecimento ao nível do poder das Relações Públicas na política, este livro é um bom ponto de partida para uma introdução mais detalhada a esta área. Desta obra, é possível perceber que as Relações Públicas:

– Quando aplicadas às políticas internas e externas de um país, têm a grande responsabilidade de promoverem a confiança e a credibilidade dos órgãos de gestão e governo desse país, de forma a incitarem a transparência e a clarificação de fenómenos e conceitos políticos para a população;

– Têm também uma enorme influência na divulgação e disseminação de informação sobre movimentos e mensagens políticas, que têm, naturalmente, bastante influência na população;

– Ao nível das relações internacionais, devem cumprir o dever de tornar os conflitos políticos o mais explícito possível para a população, de forma a incentivar o conhecimento verdadeiro, real, e não propagandístico, e a não incitar qualquer tipo de ódio ou violência entre populações, que devem ser exemplos históricos de sofrimento para a Humanidade.

Em conclusão, é de referir que este livro é um bom ponto de partida para quem tenha curiosidade sobre o Islão, desde a sua ideologia aos seus problemas, passando pela realidade atual e por diversos factos que podem ajudar a perceber os sentimentos dos muçulmanos. Para quem, antes ou depois desta leitura, queira saber mais sobre o Islamismo, aconselho o livro do mesmo nome, Islamismo, de Jamal J. Elias, de 1999. Foi o livro que me fez conhecer mais sobre a história no Médio Oriente – que, por vezes, pode ser bastante mal interpretada pelo Ocidente – e me fez julgar alguns acontecimentos atuais com um outro conhecimento, o que é útil para qualquer profissional de comunicação e de qualquer outra área – no fundo, para qualquer cidadã(o).

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