OS DINOSSAUROS ESTÃO EXTINTOS?

A área das Relações Públicas é relativamente recente. Ao contrário de profissões como professor, jornalista ou comerciante, que têm uma história profissional bastante extensa, o profissional de RP vê o passado da sua profissão como uma área reconhecida há menos de um século.

Apesar de a comunicação empresarial existir há mais tempo do que aquele em que começou a ser estudada (sobre este passado das RP, escrevi no primeiro post deste blog), a verdade é que as Relações Públicas são reconhecidas como tal há relativamente pouco tempo. Grunig e Hunt, autores que se poderiam considerar como dinossauros das RP, descreveram em 1984 quatro modelos de Relações Públicas. O primeiro destes modelos, Press Agentry, teve a sua origem no início do século XX, ou seja, há cerca de cem anos. É ainda de salientar que este primeiro modelo nem sequer confere uma perspetiva de comunicação estratégica às RP, mas sim o papel de propaganda e publicidade. Apenas no quarto modelo, Two-way Symmetric, que nasce nos anos 60/70, é que se começa a olhar para as RP como a função de mediar relações entre uma organização e os seus públicos, dando uso a estratégias de comunicação – sobre as quais pode ler mais neste post -, numa lógica de diálogo ao invés de monólogo.

DINOSSAUROS DA COMUNICAÇÃO?

A partir deste passado das Relações Públicas, é possível perceber que chamar dinossauros aos teóricos desta área é um termo relativamente exagerado, pelo simples facto de que a profissão tem vindo a evoluir apenas no século passado. No entanto, será correto reduzir os antigos profissionais e teóricos de RP a apenas aqueles que são estudados? Creio que não. Existe todo um universo de profissionais desta área que não vêm nos livros e que têm tamanha importância no desenvolvimento da profissão. São as pessoas que apostaram neste universo que é a comunicação há 50, 40, 30 anos. Também eles são os dinossauros desta profissão, na medida em que delinearam as suas estratégias e os seus planos num mundo bastante diferente do atual.

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O que fazer, então, face a estes dinossauros da comunicação? A verdade é que não é exequível – nem sequer inteligente – ignorar todo o conhecimento sobre as dinâmicas da comunicação que estas pessoas foram adquirindo e passando para as próximas gerações de profissionais. Isto porque a base da profissão de RP passa por todas essas dinâmicas, que devem ser estudadas e compreendidas, de forma a que o conhecimento que daí advém possa potencializar os futuros planos e ações na comunicação estratégica. Há que conhecer, então, o que levou aos sucessos do passado, para entender como os atingir também, e o que levou aos erros, para compreendê-los e não os repetir. A comunicação é uma área fascinante por toda esta dinâmica que lhe é subjacente: comunicamos para públicos, pessoas que reagem e que interpretam às suas maneiras, pelo que não há estratégias ou táticas infalíveis, não há receitas mágicas. Nada disso – o que há é o conhecimento e a aprendizagem que podemos retirar de tudo o que foi feito até à nossa entrada no mercado de trabalho.

Ainda assim, não basta restringir o conhecimento ao passado. É preciso inovar: olhar para o futuro e para todos os novos desafios que este traz. Entender que o mundo está em constante mudança, principalmente o da comunicação. As novas dinâmicas desta área, como o live stortytelling, mostram que um bom profissional de RP deve estar constantemente atento e disposto a adaptar as suas estratégias face às novas expectativas dos públicos, nomeadamente ao nível do mundo digital. Este mundo digital está em constante progresso, em constante evolução, em constante mudança. Mudança essa que acontece a uma velocidade nunca antes vista. A hashtag da campanha anterior é passado, as respostas em dias úteis são passado, os comunicados de imprensa em papel são passado. O desafio do atual profissional de RP é maior do que alguma vez foi: é saber adaptar todo o conhecimento que adquire no estudo da profissão a um mundo digital nascido há relativamente pouco tempo e que parece evoluir a todo o instante. E, de facto, evolui mesmo.

Não, os dinossauros não estão extintos. Na verdade, os dinossauros da comunicação empresarial ainda não chegaram à terceira idade. Podemos aprender com eles… e podemos fazer melhor. Devemos fazer melhor. Temos de fazer melhor.

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